Clipe “Rua Augusta” – Emicida

Atualmente o conceito de música vem sendo desconstruindo e a arte junto com ela. Hoje em dia qualquer música com uma melodia bonitinha e um refrão chiclete – que às vezes chegam a ser 50% da música – já são o bastante para serem hit’s. Quem nunca ouviu a música “Gordinho Gostoso” do Netinho LX? Ele tem outras músicas que contam histórias totalmente fictícias, umas delas se chama “Dono do Banco”, na qual ele diz que é dono do banco e em toda a festa que ele vai banca todo mundo e sabe por que ele banca? Porque ele é dono do banco!

Não tenho nada contra ele, porém, isso não tem nenhuma expressão artística de valor, essa é a verdade.

Mas eu não vim aqui para falar do Netinho LX, eu vou falar sobre a música “Rua Augusta” de Emicida. Essa, traz um contexto totalmente diferente e cá entre nós, bem melhor do que qualquer música do LX.

Eu estou sendo tendencioso? Talvez. Porém, serei sempre tendencioso a favor da boa letra musical.

E a música “Rua Augusta” traz uma expressão artística imensa e você já vai entender o porquê.

Primeiro vamos esquecer do LX.

Agora vamos falar dos principais aspectos que englobam a o clipe musical “Rua Augusta”.

Análise do clipe e música “Rua Augusta”

emicida

Vamos começar do início. Rua Augusta é uma importante avenida situada na cidade de São Paulo, porém tem um grande fluxo de prostituição.

Bem, se você ainda não ouviu a música, ela aborda justamente a vida da prostituição, contando a história de uma prostituta, provavelmente uma personagem fictícia, mas que condizem com a realidade de muitas que ingressaram nesse mundo.

Já o clipe mostra o dia a dia de uma prostitua e os altos e baixos que as mulheres que ingressam nesse mundo enfrentam.

Agora veja um trecho da música:

“[…] Mema grana que compra sexo, mata o amor”.

Nesse trecho o Emicida quer dizer que, o mesmo dinheiro que paga pelo sexo mata o amor, ou seja, sexo pago não tem paixão ou nada parecido, é apenas o prazer comprado.

Em outro trecho ele diz:

“[…] O seu novo amor ta de partida.

Ele espera acaba a noite ela espera acaba a vida”.

Já nesse trecho da música o Emicida retrata perfeitamente o que acontece após o sexo: o homem vai embora, e espera somente uma noite acabar, já a prostituta espera acabar a vida, uma vez que não tem nenhuma esperança de muda-la. É uma ilustração perfeita da realidade.

E o clipe é excelente, pois, ao longo do mesmo, a mulher dá alguns depoimentos, e sempre é intercalada pela letra, cantada pelo Emicida na Rua Augusta, é perfeito.

O mais legal é que a música e o clipe mostram a realidade e o sofrimento sofrido pela mulher. A letra deixa bem claro que ninguém pode julgá-la, pois ninguém paga as contas dela.

E outro trecho da música atinge em cheio essa parte do certo e errado:

“[…] Foda-se se é erro quem fez o certo? Jesus.

E seis agradeceram como? Pregando ele numa cruz”!

Notou a diferença de uma boa música? Na “Rua Augusta” existe algo maior por trás daquela letra, existe uma realidade real. Um usuário lá no Youtube comentou exatamente isso: “Foda é aquele que transforma Tabu em Poema”.

Deixo agora aberto a interpretações. Até breve.

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