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Nick Cave lança livro com cara de cinema e, principalmente, de seus videoclipes

3 setembro 2010 530 views Comente primeiro

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O roqueiro Nick Cave acaba de lançar seu novo livro “A Morte de Bunny Munro”, que já está disponível no Brasil. Mais do que uma narrativa em papel, fica clara a veia videoclíptica no ritmo da história e a presença da cultura pop na temática e até nos personagens criados pelo cantor/escritor. Quer apostar?

Thamiris Tavares (thamiris@clipestesia.com.br)

Nick Cave é um artista obscuro, isso fica muito claro em suas letras. Quando surge a notícia de que ele vai lançar um romance, muita expectativa é gerada e o que se espera é um livro também obscuro. Porém, ele nos surpreende com um livro que é deboche puro, tão cheio de obscenidades, drogas e álcool que você tem a sensação de estar doidão também. Isso tudo aliado a uma narrativa frenética nos fizeram ver o mundo rodar cada vez que fechamos o livro para uma pausa (quando conseguimos).

A forma como descreve as aventuras do protagonista, um doente viciado em sexo, que usa o ofício de vender produtos de beleza para conseguir mulheres, e vice-versa, a princípio nos faz pensar que um adolescente seria capaz de escrever aquilo, mas no decorrer do livro, entendemos que isso faz parte da construção do personagem e que o fim só faria sentido se assim fosse no início.

Aliás, feministas sem senso de humor, mantenham distância do livro, somos retratadas na história mais ou menos como nesse clipe da banda de Nick Cave:

Quanto à narrativa, ela se aproxima muito de um roteiro de cinema, tanto na forma como os ambientes e as ações nos são apresentados, como no ritmo da história: acontece muita coisa em pouco tempo, e quando o livro acaba, tem-se a sensação de que acabou de ver um filme de uma hora e meia. Mas isso não é ruim, porque o que acontece não seria muito bem-vindo em um filme não pornô (não é brincadeira), além disso, seríamos privados dos pensamentos inacreditáveis e hilários que não cabem em uma narração fora do túmulo que é um livro.

Bunny (algo como “coelhinho” em inglês) é casado e tem um filho de nove anos, Bunny Junior, que cuida dele após a morte de Libby, a esposa depressiva que comete suicídio logo no início, o que desencadeia uma onda de culpa e, consequentemente, os eventos que levam à morte do protagonista. Ao contrário do que parece, Bunny é completamente apaixonado pela mulher e, de alguma forma, suas puladas de cerca nutrem a visão dela idealizada de quando se casaram. A descrição feita de Libby lembra Kylie Minogue no clipe da parceria entre ela e Nick Cave & The Bad Seeds.

Aliás, Kylie Minogue tem participação ativa no livro, assim como Avril Lavigne, mas isso fica para quem ler.

Depois de tanta sacanagem e bebedeira, quando você já começa a cansar da brincadeira, a coisa sai do controle e fica séria, levando a um final louco e comovente, digno de Nick Cave, e do nada surge a veia religiosa do autor, percebida nessa música aí em baixo.


Nick Cave & The Bad Seeds – Into My Arms

E é lógico que eu vou parar por aqui…

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