Crise ou gozação? Bandas que zoam bandas em clipes
A banda Strike lançou, há pouco mais de dois meses, o clipe A Tendência. Dirigido por André Vasco, o vídeo atingiu logo o sucesso e colocou a banda novamente nas principais paradas musicais e, mais ainda, na boca do povo! O sucesso é mérito da canção e do videoclipe, claro, mas também da fórmula usada no clipe: homenagear (ou ridicularizar?!) outras bandas com humor! Esse não é o único clipe em que bandas encarnam outros artistas e sofrem essa “crise de indentidade”. O Clipestesia dá uma de psicólogo e te mostra.
Marcelo Mendonça (marcelo@clipestesia.com.br)
O clipe A Tendência, muito bem realizado, traz os integrantes da Strike se apresentando para um empresário, que faz com que os integrantes mudem de estilo a cada nova sequência. Além de incorporarem os clichês do sertanejo e do hip hop, os caras zoam bandas como Village People, Lady GaGa e até o Restart, que tornou-se a sensação entre os adolescentes. Quando foi lançado, as comparações foram inevitáveis. O roteiro é muito semelhante ao do What Do You Want From Me, clipe da Forever The Sickest Kids, sugerido pela leitora Juliana Turano. Com a mesma lógica do já clássico da Strike, o vídeo mostra a banda mudando de estilo e encarnando até perfis como os de Restart e Charlie Brown Jr.
Já com All The Small Things, do Blink 182, as comparações não foram diferentes. Grande sucesso dos anos 90, o clipe faz referência a vários grandes fenômenos da época, como Backstreet Boys, Christina Aguilera, Ricky Martin, entre tantos outros. Vale destacar ainda a impagável sátira que o grupo faz a Britney Spears em Sometimes, clássico teen da época. Neste caso, a paródia era uma clara alfinetada no mundo pop. Homenagem? Até parece.
O vídeo foi um grande sucesso e faturou o prêmio de Melhor Clipe de Grupo, no VMA 2000. “Nós queremos fazer um vídeo que seja como dirigido para uma boyband, porque nossa imagem é tão sexy quanto e nós aparentamos bem quando estamos molhados, e nós dançamos e nós podemos usar roupas apertadinhas assim como todo mundo, tá ligado?”, declarou Tom DeLonge, o guitarrista da banda, durante as gravações. O sucesso é comprovado! O que pouca gente sabe por aqui é que a música ganhou uma regravação esse ano e até um clipe inspirado no original. Agora cantada pela dupla Jedward, All The Small Things satiriza fenômenos mais recentes. Beyoncé e suas Single Ladies e o Telephone de Lady GaGa são alguns dos alvos dessa versão.
Um dos grandes mestres em satirizar outros artistas é Eminem. Antes do álbum ‘Recovery’ e dessa fase mais séria, o rapper sempre criticou diversas bandas através do humor. Em Without Me, um dos primeiros grandes sucessos, o cantor satirizava Batman e Robin, Osama Bin Laden… Várias personalidades, mas ninguém da música. O vídeo ganhou diversos prêmios e mostrou que essa era a fórmula que devia ser seguida.
Sete anos depois, Eminem traz de volta a sátira em We Made You, com o mesmo diretor de Without Me, Joseph Kahn. Dessa vez, artistas como Britney Spears, Kevin Federline, Jessica Simpson, Amy Winehouse, John Mayer e até Elvis virão zoação na mão do cantor.
Falando no Eminem, o feitiço também já virou contra o feiticeiro. Depois de lançar We Made You e debochar de diversos artistas, no mesmo álbum “Relapse”, o cantor fez uma, digamos, homenagem a Mariah Carey. Na faixa Bagpipes from Bagdah, o rapper afirma que teve um romance com a cantora durante seis meses há alguns anos e aproveita para espinafrar seu casamento. “Nick Cannon, seu otário, eu te desejo sorte com aquela prostituta” e “Eu não estou brincando, eu quero ela de volta” são apenas alguns trechos da letra que causou tanta discórdia e a revanche da Mariah!
Sim! A diva que está sempre sorridente e canta como um golfinho deu o troco no seu videoclipe. Apesar de negar a princípio, Obsessed é toda para Eminem. Versos como “Por que você está tão obcecado por mim? Mentindo que você estava transando comigo…” foram ilustrados por uma Mariah de roupas largas, capuz e com todos os trejeitos de rapper, mas a cara do Ronaldo!
Quem também encarnou um outro perfil para o clipe, ou melhor, outros perfis, foi Christina Aguilera. Em seu relançamento, em 2010, a cantora polemizou ao lançar Not Myself Tonight. Claras referências foram feitas a Madonna, Lady GaGa, Britney Spears, Gwen Stefani e Beyoncé e a crítica caiu em cima. Quando acusada de imitar as amigas, Xtina afirmou que esse clipe era, na verdade, uma homenagem a todas essas suas colegas bem sucedidas na música.
Em uma entrevista a uma rádio de Atlanta sobre este clipe dirigido por Hype Williams, Aguilera afirmou que se sente muito mais segura, confiante e confortável quando está em sua própria pele. Mesmo sem conforto algum, a cantora teve uma boa recepção no relançamento e inclusive figurou em primeiro lugar no Top de Música Dance dos Estados Unidos.
A homenagem de Christina soou para alguns como algo que, na verdade, ela gostaria de ser. E quem fez uma homenagem bem no mesmo estilo foi Robbie Williams, em Advertising Space. No clipe, o cantor dá vida a um cover de Elvis Presley e realmente faz uma reverência ao Rei do Rock. É impressionante como os trejeitos e até a fisionomia dos cantores ficaram parecidas no clipe que é mesmo uma grande homenagem.
Enfim, esses cinco minutinhos de videoclipe podem servir para vender a imagem do artista como achar melhor. E por que não fazendo referências claras e vivendo a pele de outros artistas? Seja para ridicularizar, homenagear, ou apenas como uma forma de brincadeira, este tipo de clipe geralmente divide o foco entre o encarnado e o que lança o vídeo oficialmente. Psicologicamente, cada banda deve ter seus motivos, mas no sentido comercial, não se pode negar que videoclipes como esses raramente tem repercussão baixa na mídia, o que é ótimo para a banda.
Uma homenagem também foi feita por Bob Sinclair, mesmo sem se vestir de nenhum dos artistas em questão no clipe. Em Rock This Party (Everybody Dance Now), David Beaudoin (o menininho que faz Love Generation e World Hold On) recria as imagens do Red Hot Chilli Peppers, Nirvana, Michael Jackson, Justin Timberlake, Bob Marley e vários outros. Agora, em um momento de fuga, bem que eu gostaria de poder me transformar em um artista que eu admiro muito ou debochar daqueles que, honestamente, merecem o deboche. Ah, como eu queria estar em um videoclipe!


Eu sempre achei esse clipe do Strike muito “tendencioso”. Acho que eles aproveitaram o título do clipe para falar de outras tendências..
Sem contar que tem uma matéria na internet com o seguinte título: “Baterista do Strike faz fã do grupo beber sua urina em programa”
http://www.abril.com.br/blog/celebridades-que-causam/2009/12/baterista-do-strike-faz-fa-do-grupo-beber-sua-urina-em-programa/
Nesse ponto o pessoa da Escola de Frankfurt está certo ao se referir ao lixo musical hausuah
Cara, como assim tu não falo do clipe Dani California do Red Hot? se náo fosse essa falha o post taria perfeito
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