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A grana é curta, mas a criatividade é sem tamanho!

13 agosto 2010 794 views 1 Comentario

Videoclipe geralmente tem a sua imagem ligada a grandes produções. Isso é claro desde a década de 70, quando o clipe começou a existir da forma como conhecemos hoje. Era a época do glam rock no exterior, da Tropicália no Brasil, da Disco Music… Tudo pedia muita imagem, muita cor, muita produção e, não menos importante, muita grana para a produção. Isso não mudou. Grandes artistas investem em clipes de produção megalomaníacas, mas às vezes, na contramão, optam por algo mais barato e nem por isso mais simples. Colocam toda a criatividade para funcionar e ainda sobra uma grana.

Marcelo Mendonça (marcelo@clipestesia.com.br)

Com a popularização da internet e a facilidade cada vez maior de produção e exibição de vídeos em plataformas como o YouTube, os clipes acabaram se permitindo criar coisas novas e economizar no orçamento. Se antes, a opção mais acessível para um clipe de baixo custo era colocar a banda tocando num estúdio e deixar um resultado, na maioria das vezes, sem graça, agora eles podem gastar ainda menos e ousar um pouco mais.

A banda OK Go atingiu o sucesso extremo em 2006 com o clipe Here It Goes Again. Com uma coreografia em esteiras, o clipe atingiu mais de 50 milhões de exibições no YouTube e ganhou diversos prêmios, e diz a lenda que o trabalho custou apenas 10 dólares. Era apenas uma câmera de qualidade caseira, esteiras emprestadas, um coreógrafo e um diretor. Ah! E muita criatividade. Ganhou prêmios da MTV e do VH1, Grammy e um prêmio dentro do próprio YouTube, como vídeo mais criativo do ano.


Outro famoso clipe que teve orçamento a preço de banana é Cornerstone, um dos mais recentes do Arctic Monkeys. Lançado no ano passado, o clipe visivelmente bebe na fonte da internet das produções “toscas” que vemos pelo YouTube. A imagem é bem ruim, a performance exagerada, sem cenários… Algo tão barato que deve ter sobrado até dinheiro para a condução. Justamente pela clara referência aos vídeos colaborativos, esse clipe é sensacional.

Ainda nessa onda de internet, os japoneses do Sour inovaram, lançaram Hibi No Neiro e foram copiados por diversas outras linguagens. Talvez você não se lembre de quem estamos falando. A banda é responsável pelo clipe colaborativo que serviu de inspiração para comerciais da Claro, abertura de “Amor e Sexo” da TV Globo, entre tantos outros exemplos. Feito todo com webcam, fãs ao redor do mundo gravaram suas imagens que foram sincronizadas posteriormente, dando um resultado genial! Dirigido por Masashi Kawamura, Hal Kirkland, Masayoshi Nakamura e Mágico Nakamura (Mágico?), esse é um dos principais exemplos de vídeos baratos com influência clara da internet.

A banda Sour ainda tem outros clipes baratinhos, como Hangetsu (todo feito com sombras) e Omokage No Saki.

Mas não pense que o Brasil não sabe fazer bons clipes de baixo orçamento! Um clipe simples que custou bem pouquinho é Lunático, um dos primeiros famosos da Cachorro Grande. É apenas um estúdio e a banda tocando. Chato? Seria, se a banda não tivesse a declarada inspiração nos Beatles. O clipe ficou a cara das produções dos meninos de Liverpool, antes mesmo de o videoclipe ter a forma que ele tem hoje. De qualquer forma, é um resultado que vale a pena de ser observado.

Com ar todo conceitual, Marisa Monte lançou em 2006 o vídeo para Até Parece, seu single na época. Acostumada com grandes produções como Segue o Seco e Amor I Love You, o clipe não tinha nada além de um fundo preto e uma câmera subjetiva. O resultado é simples, mas encaixa perfeitamente com o que a música pede. A direção é de Cláudio Torres.


No mesmo clima está Duffy, com a maquiagem borrada, em Warwick Avenue. O clipe é gravado todo dentro de um carro e em seu orçamento, além da equipe, teve uma câmera, um carro (alugado, emprestado ou próprio) e um pouco de gasolina. Simples e emocionante. A cantora se mostra cada vez mais angustiada que, mesmo em um único take, consegue transmitir a agonia e desespero propostos pela letra. A princípio, seriam várias imagens além da cantora partindo em seu táxi, mas o diretor Daniel Wolfe achou a sequência do carro tão expressiva que bastou para o clipe ficar ótimo.


O clipe da Duffy não tem nenhuma referência à linguagem de internet, como os mostrados anteriormente, mas existe um outro que ditou moda na rede e tinha tudo para ser barato… mas não foi. Single Ladies, da Beyoncé, o clipe mais falado de 2009, não tinha cenário, contou com iluminação e fotografia simples… Apenas uma coreografia num fundo branco, roupas iguais e um anel que custou U$ 5 milhões! Ok, só o anel já estourou todo o orçamento planejado, mas, vai, o resultado do clipe dirigido por Jake Nava pode inspirar quem pensa em fazer algo com pouco dinheiro no bolso e criatividade para dar e vender!


FracoMédioRegularBomÓtimo (No Ratings Yet)

1 Comentário »

  • Matheus disse:

    Cara, excelente post, me ajudou demais
    parabens

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