Bio(video)grafia Romain Gravas, diretor do novo clipe da M.I.A.
Romain Gravas… Você pode não ter guardado esse nome, ainda. Mas os trabalhos desse novo diretor francês de videoclipes, de apenas 28 aninhos, estão dando o que falar. O videoclipe mais polêmico do ano foi dirigido por dele. Algum palpite?
Bianca Caetano (bianca@clipestesia.com.br)
Romain Gravas é francês, nasceu em 1981 e é diretor de filmes e videoclipes. Filho do lendário Constantinos Costa-Gravas, diretor grego, naturalizado francês, que ganhou notoriedade por seu cinema político e de denúncia que se iniciou na década de 60 e continua até hoje.
Cinema e política na árvore genealógica
Constantinos Costa-Gravas é responsável pelos filmes Desaparecidos, um Grande Mistério (1982) sobre a ditadura de Pinochet no Chile; Amém (2002) sobre a relação da Igreja Católica com o Nazismo entre outros filmes polêmicos. Mas foi o filme Z (1969) que denuncia a violência da ditadura na Grécia na década de 60, que lhe rendeu duas, dentre as cinco que concorria, estatuetas do Oscar. Seus trabalhos influenciaram diretamente seus filhos Julie Gravas e Romain Gravas, que seguiram os seus passos, tendo a política como tema principal em seus trabalhos cinematográficos.
Julie Gravas é diretora de cinema, sua estréia em longas-metragens aconteceu com A Culpa é do Fidel (2006). O filme mostra a efervecência política ocorrida no final da década de 60 e início da seguinte, tudo isso atráves do olhar de Ana, uma menina rica e mimada de 9 anos. Após a chegada de familiares fugidos da Espanha devido a ditadura de Franco sua família rever seu conceitos e muda suas atitudes. Ação que é mal-vista pela menina que tem a sua rotina modificada e passa a conviver com militantes políticos e reuniões clandestinas.
Com esse histórico familiar, Romain Gravas não poderia fugir muito dos temas que o acompanham desde criança. Mas além do cinema, Romain optou por se expressar politicamente através de outras linguagem audiovisual, os videoclipes.
Romain Gravas, o controverso diretor
Romain chamou atenção para seu trabalho com o polêmico e violento clipe da música Stress (2008) da dupla Justice, que foi proibido de ser veiculado em diversos países e meios de comunicação. No vídeo, a camêra acompanha um grupo de adolescentes negros na França que resolvem sair pela rua e começam a roubar e agredir as pessoas, aparentemente sem motivo. O grupo picha paredes, arranha carros, destrói bens alheios entre outras cenas que assistimos passivamente. Vale a pena assistir até o fim e ver como a história termina.
Tudo isso é mostrado num tom documental, é claro que existem os cortes rápidos dos videoclipes mas há uma cumplicidade e “acordo” entre o que está diante e atrás das câmeras que só um documentário proporciona. Essa é uma das característas que aparece nos demais trabalhos do jovem diretor.
Mais recentemente Romain voltou a ser o foco de atenção da mídia, o responsável por isso foi o clipe de Born Free (2010) da M.I.A. O vídeo mostra um grupo de policiais em uma perseguição a garotos ruivos.
O conteúdo é bem explícito e exibe sem piedade cenas de grande violência. O clipe usa a perseguição aos ruivos para fazer uma alusão aos conflitos e a exterminação étnica que o governo norte-americano financia pelo mundo. O vídeo também foi retirado de vários sites e gerou um grande boca-a-boca a respeito de seu forte e questionável conteúdo. Assista e tire suas próprias conclusões.
ATENÇÃO: CONTEÚDO ADULTO
Mas além de Stress e Born Free que nos apresenta a um estilo “Gavras” de dirigir e chocar, seus outros clipes não exibem a violência em suas últimas consequêcias. O que há de comum em seu trabalho é a questão política.
O clipe de The Age Of The Understatement (2008), por exemplo, da dupla The Last Show Puppet, foi gravado numa base militar russa, exibe cenas de militares, tanques de guerra entre outras, reforçando a temática política de seu trabalho mas deixando a violência de fora.
Em 1995, Romain criou o coletivo Kourtrajmé em parceria com Kim Chapiron, filho do artista plástico francês Kiki Picasso. O trabalho de Gravas e do coletivo, que hoje reúne 135 artistas, está relacionado aos movimentos de contestação urbano, a cultura hip hop, ao grafitte e a todos que usam a sua arte urbana como ferramenta de crítica social. Dois de seus clipes estão fortemente inseridos nessa cultura: Changer le monde (2002), de Rocé e Pour ceux (2003) de Mafia k’1 Fry.
Segundo o próprio diretor, seus clipes pretendem traçar um perfil dos diversos tipos europeus como os jovens do subúrbio francês, o branco inglês excluído, os ciganos da Romênia entre outros. Essa espécie de mapeamento antropológico em seus clipes está representado em todos os seus vídeos mas é mais perceptível em: Signatune (2007) do DJ Mehdi e I Belive (2007) de Simian Mobile Disco.
O próximo trabalho de Romain poderá ser visto nas salas de cinema ainda este ano. Sua estréia na direção de um longa será em Notre Jour Viendra, que inicialmente se chamaria Redheads. O filme discute a questão da imigração, identidade e etnia através da história de um ruivo que em resposta a exclusão resolve criar um novo país. Seu único amigo é seu psiquiatra interpretado pelo ator Vicent Cassel, um dos integrantes do coletivo Kourtrajmé. Assista ao trailer aqui.



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