A temível GaGa generation: repórter analisa o que o novo clipe de Lady GaGa e a própria artista significam
Lady GaGa parece querer ser a líder de uma geração rumo à liberdade sexual, a partir de clipes tanto chocantes quanto impecáveis. Lembrou de alguém? Pois é, todo mundo lembrou, todo mundo falou e eu juro que não vou falar de novo aqui. Mas vamos partir daí?
Thamiris Tavares (thamiris@clipestesia.com.br)
O que Gaga consegue liderar é uma geração Ctrl C + Ctrl V, que parece incapaz de olhar para o presente e criar soluções, protestos, revoluções para seus próprios problemas. É bastante conveniente protestar pela liberdade sexual feminina quando, se ela já não existe, está bem encaminhada, e o tal protesto é se esfregar em um dançarino de corpo escultural usando roupas íntimas.
Além disso outra dificuldade aparece em seus clipes, a mudança na imagem de GaGa de um para o outro é assustadora, um desavisado não parcebe que são a mesma pessoa. Essa “capacidade” de mutação reflete a falta de referência de que falam tanto. É o pensamento de “quem se define, se limita” chegando a um extremo indesejável.
Voltando ao clipe recém-lançado Alejandro, como Ela (não consegui não falar Dela) já fez de tudo sobre o assunto, a saída de GaGa é a bizarrice. É difícil perceber crítica social em meio a tanta superficialidade, tanta propaganda, tanta “gente bonita”. A feira de vaidades de Lady GaGa é coroada com um diretor que, na verdade, é fotógrafo de moda.
Steven Klein e GaGa não nasceram um para o outro?
Bem, veja o clipe e tire suas próprias conclusões. Não me entenda mal, ele ótimo no que se propõe, só reflita sobre a que ele se propõe.



Não gostei do clipe e concorddo com a Katy Perry: a blasfemia é desnecessária.
Geração Ctrl C + Ctrl V? Ponto um: você “faria” parte dela – se eu de fato acreditasse neste tipo de taxonomia. Lembra-me Renato Russo e Geração Coca-Cola. Crítica panfletária e generalizante como essa, passo. Cair numa generalização dessas é repetir a crítica fatalista daqueles autores estandartes da indústria cultural que todos devem conhecer e – também eu – não ousarei repetir. Eu diria que tal adjetivação é cair num erro histórico.
Segundo: mas, literalmente… o Ctrl C + Ctrl V de fato faz parte desse nosso mundo. Já faz há séculos, na verdade. As diferentes apropriações e diferentes usos do que as pessoas fazem do seu “recorte e colagem” é que fazem a diferença. mas não vou entrar nesse ponto. Se pararmos para pensar, todas as nossas referências de mundo são datadas.
(cont…)
[Depois eu continuo e chegarei na Lady Gaga, infelizmente me dei conta de que estou atrasada. Volto em breve].
[...] This post was mentioned on Twitter by Ariane Holzbach, Clipestesia. Clipestesia said: Steven Klein e Lady GaGa nasceram um para o outro? Review do controverso clipe "Alejandro": http://ow.ly/1XeW6 [...]
Sim, eu faço parte da geração, o que não quer dizer eu deva abaixar a cabeça e aceitar sem questionar tudo o que a mídia me oferece.
Concordo plenamente quando você diz que a diferença é o uso que as pessoas fazem de suas referências. A minha crítica é a esse uso, até que ponto ele demonstra uma referência, quando ele passa a ser cópia? Não, Ctrl C + Ctrl V não pode fazer parte do mundo de uma forma tão descarada e não pode ser institucionalizada.
A referência é válida quando leva a algum outro lugar, quando é um ponto de partida, não quando simplesmente nos faz lembrar de outro artista.
Quanto à crítica panfletária e generalizante, ela é tão necessária quanto a passividade total. São os extremos que nos levam ao equilíbrio. Percebendo que a segunda prevalece, resolvi levantar a bandeira da primeira. Vamos ver aonde chegamos com esse debate.
O oposto também é válido: se eu aceito algo, não quer dizer que eu abaixe a minha cabeça para o que a mídia me oferece.
Não quero discutir a pretensão da Gaga – longe de mim colocar a minha bela mãozinha no fogo por alguém. Se tudo que ela faz é um meio de se tornar vendável, se aproveitando de temas polêmicos para obter fama, não podemos adivinhar. Pode ser, pode não ser. Mas ela atinge as pessoas – seja para o bem ou para o mal. Não é à toa que os vídeos dela atingem a marca de milhões de visitas em algumas horas.
Eu vou concordar com a Katy Perry também. Sim, vou! Blasfêmia pode ser igual à piada de pum: até hoje é reapropriada e faz algumas pessoas rirem, não faz? Ambos são elementos presentes no imaginário coletivo.
E falando em Katy Perry – fazendo o papel de advogado do diabo – pra mim blasfêmia poderia ser utilizar-se do lesbianismo de ocasião, remontando àquelas meninas com roupinhas provocativas que se beijam na buaty para provocar os meninos. O que isso difere de dançar seminua com dançarinos? Só quero demonstrar que diferentes apropriações de um discurso são possíveis: há quem considere a música da Katy Perry super libertária. Talvez, tomando por exemplo a possibilidade de eu ser uma lésbica ateísta, blasfêmia é se utilizar do meu lugar de luta dessa forma. Resgatando a questão: menos me importa a intencionalidade de Gaga, e sim a recepção que ela tem. Há diversas maneiras de mediarmos o que recebemos, e isto todos nós discutimos extensivamente, não vou retomar. Dizer que a passividade total prevalece é muitíssimo complicado. Dizer que os sujeitos são passivos, e não que são capazes de mediar o que recebem é grave.
Momento teenager: alguém já reparou no peitinho murcho e pequeno da Gaga? Pois é, num momento de Crtl C + Ctrl V onde o o Ctrl C se baseia em uma imagem do feminino “tamanho 44/46″, talvez, em algum lugar do mundo, uma adolescente “passiva que absorve tudo que a mídia coloca em sua cabeça” (sic) esteja abandonando sua ideia de colocar silicone. Quem sabe?
(Não era exatamente isto que eu ia expor, mas como veio uma tréplica no meio do caminho, mais elementos se agregaram e fugi um pouco do que ia falar, mas debate é isso aí!
)
Quando escrevi sobre Lady GaGa ela serviu como bode expiatório, como eu disse, de uma geração, da qual Kate Perry faz parte, portanto, concordo com o que você disse sobre ela. Aliás, se você se incomoda tanto com o uso da causa gay (como eu também me incomodo)para chamar atenção, procure na rede o discurso ridiculamente genérico de GaGa durante uma manifestação nos Estados Unidos (não me lembro a ocasioão, mas você deve saber).
Quanto à passividade, é sempre complicado tocar nesse assunto, as pessoas se sentem ofendidas, e aí, mais uma vez, não me refiro somente à GaGa, e nem somente a nossa geração. Não é o seu caso? Ótimo, mas não espere que todo mundo reflita sobre o que está na mídia antes de consumir, como você. E eu acho essa situação mais grave do que falar sobre ela.
Agora, usar o tamanho dos seios de GaGa como argumento me parece desespero, ou futilidade. Mas eu sei que não é o seu caso…
Oie!
Ainda não vi o clip, apenas um teaser e demorei pra reconhecer a Gaga. De fato num sei o que me espera, vou deixar para assitilo depois =D
Fato inegável no entanto é que ela aaaaaaama de paixão simplesmente a si mesma e faz de tudo³ para chamar a atenção com tecnicas repetidas por Madonna e Britney e outras antesd delas e técnicas surrealistas, menos observadas no mundo pop.
Hoje, a questão da sexualidade, ser bi, tri, pan e não apenas escolher um dos times apenas tá em ultra voga, então ela tá abusando desse assunto, até pq ela diz fazer parte desse grupo.
Desculpe a intromissão, não defendo ninguém, cada um tem o direito de pensar o que quiser, fazer o que quiser ou apenas curtir a arte que ela faz, como eu, mesmo as vezes achando que ela exagera. Depoiss arcar com as consequências.
Abraço!
Muito boa a crítica. Pra mim é inaceitável ouvir que Lady Gaga é original, revolucionária, única, se ela está fazendo hoje o que Madonna, Cindy Lauper, Grace Jones, Nina Hagen faziam há muitos anos. A diferença é que é tudo adaptado aos nossos tempos, novas tecnologias, internet e seus derivados.
Gosto de Lady Gaga, mas só acho que o rótulo que ela recebeu não faz jus à cantora. Ela é uma artista de referências (não uma cópia, apesar de nesse clipe ela se aproximar disso). Musicalmente ela é limitada.A única música que destaco na carreira dela é Bad Romance. Sobre Alejandro: o clipe não precisava de 8min, pq a música não vale o esforço de acompanhar esse curta metragem. A fotografia (como era de se esperar) é muito boa, mas os temas e as performances são muito Madonna e outras cantoras mais.
Lady Gaga merece o sucesso, mas não um altar de adoração na música pop.
Fato!
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