Home » Featured, Review Novo

A temível GaGa generation: repórter analisa o que o novo clipe de Lady GaGa e a própria artista significam

11 junho 2010 1.596 views 10 Comentarios

Lady GaGa parece querer ser a líder de uma geração rumo à liberdade sexual, a partir de clipes tanto chocantes quanto impecáveis. Lembrou de alguém? Pois é, todo mundo lembrou, todo mundo falou e eu juro que não vou falar de novo aqui. Mas vamos partir daí?

Thamiris Tavares (thamiris@clipestesia.com.br)

O que Gaga consegue liderar é uma geração Ctrl C + Ctrl V, que parece incapaz de olhar para o presente e criar soluções, protestos, revoluções para seus próprios problemas. É bastante conveniente protestar pela liberdade sexual feminina quando, se ela já não existe, está bem encaminhada, e o tal protesto é se esfregar em um dançarino de corpo escultural usando roupas íntimas.

Além disso outra dificuldade aparece em seus clipes, a mudança na imagem de GaGa de um para o outro é assustadora, um desavisado não parcebe que são a mesma pessoa. Essa “capacidade” de mutação reflete a falta de referência de que falam tanto. É o pensamento de “quem se define, se limita” chegando a um extremo indesejável.

Voltando ao clipe recém-lançado Alejandro, como Ela (não consegui não falar Dela) já fez de tudo sobre o assunto, a saída de GaGa é a bizarrice. É difícil perceber crítica social em meio a tanta superficialidade, tanta propaganda, tanta “gente bonita”. A feira de vaidades de Lady GaGa é coroada com um diretor que, na verdade, é fotógrafo de moda.

Steven Klein e GaGa não nasceram um para o outro?

Bem, veja o clipe e tire suas próprias conclusões. Não me entenda mal, ele ótimo no que se propõe, só reflita sobre a que ele se propõe.

FracoMédioRegularBomÓtimo (No Ratings Yet)

10 Comentários »

  • Jocimar disse:

    Não gostei do clipe e concorddo com a Katy Perry: a blasfemia é desnecessária.

  • Layanna disse:

    Geração Ctrl C + Ctrl V? Ponto um: você “faria” parte dela – se eu de fato acreditasse neste tipo de taxonomia. Lembra-me Renato Russo e Geração Coca-Cola. Crítica panfletária e generalizante como essa, passo. Cair numa generalização dessas é repetir a crítica fatalista daqueles autores estandartes da indústria cultural que todos devem conhecer e – também eu – não ousarei repetir. Eu diria que tal adjetivação é cair num erro histórico.

    Segundo: mas, literalmente… o Ctrl C + Ctrl V de fato faz parte desse nosso mundo. Já faz há séculos, na verdade. As diferentes apropriações e diferentes usos do que as pessoas fazem do seu “recorte e colagem” é que fazem a diferença. mas não vou entrar nesse ponto. Se pararmos para pensar, todas as nossas referências de mundo são datadas.

    (cont…)

    [Depois eu continuo e chegarei na Lady Gaga, infelizmente me dei conta de que estou atrasada. Volto em breve].

  • Tweets that mention clipestesia.com.br » Blog Archive » A temível GaGa generation: repórter analisa o que o novo clipe de Lady GaGa e a própria artista significam -- Topsy.com disse:

    [...] This post was mentioned on Twitter by Ariane Holzbach, Clipestesia. Clipestesia said: Steven Klein e Lady GaGa nasceram um para o outro? Review do controverso clipe "Alejandro": http://ow.ly/1XeW6 [...]

  • Thamiris Tavares disse:

    Sim, eu faço parte da geração, o que não quer dizer eu deva abaixar a cabeça e aceitar sem questionar tudo o que a mídia me oferece.
    Concordo plenamente quando você diz que a diferença é o uso que as pessoas fazem de suas referências. A minha crítica é a esse uso, até que ponto ele demonstra uma referência, quando ele passa a ser cópia? Não, Ctrl C + Ctrl V não pode fazer parte do mundo de uma forma tão descarada e não pode ser institucionalizada.
    A referência é válida quando leva a algum outro lugar, quando é um ponto de partida, não quando simplesmente nos faz lembrar de outro artista.
    Quanto à crítica panfletária e generalizante, ela é tão necessária quanto a passividade total. São os extremos que nos levam ao equilíbrio. Percebendo que a segunda prevalece, resolvi levantar a bandeira da primeira. Vamos ver aonde chegamos com esse debate.

  • Layanna disse:

    O oposto também é válido: se eu aceito algo, não quer dizer que eu abaixe a minha cabeça para o que a mídia me oferece.

    Não quero discutir a pretensão da Gaga – longe de mim colocar a minha bela mãozinha no fogo por alguém. Se tudo que ela faz é um meio de se tornar vendável, se aproveitando de temas polêmicos para obter fama, não podemos adivinhar. Pode ser, pode não ser. Mas ela atinge as pessoas – seja para o bem ou para o mal. Não é à toa que os vídeos dela atingem a marca de milhões de visitas em algumas horas.

    Eu vou concordar com a Katy Perry também. Sim, vou! Blasfêmia pode ser igual à piada de pum: até hoje é reapropriada e faz algumas pessoas rirem, não faz? Ambos são elementos presentes no imaginário coletivo.

    E falando em Katy Perry – fazendo o papel de advogado do diabo – pra mim blasfêmia poderia ser utilizar-se do lesbianismo de ocasião, remontando àquelas meninas com roupinhas provocativas que se beijam na buaty para provocar os meninos. O que isso difere de dançar seminua com dançarinos? Só quero demonstrar que diferentes apropriações de um discurso são possíveis: há quem considere a música da Katy Perry super libertária. Talvez, tomando por exemplo a possibilidade de eu ser uma lésbica ateísta, blasfêmia é se utilizar do meu lugar de luta dessa forma. Resgatando a questão: menos me importa a intencionalidade de Gaga, e sim a recepção que ela tem. Há diversas maneiras de mediarmos o que recebemos, e isto todos nós discutimos extensivamente, não vou retomar. Dizer que a passividade total prevalece é muitíssimo complicado. Dizer que os sujeitos são passivos, e não que são capazes de mediar o que recebem é grave.

    Momento teenager: alguém já reparou no peitinho murcho e pequeno da Gaga? Pois é, num momento de Crtl C + Ctrl V onde o o Ctrl C se baseia em uma imagem do feminino “tamanho 44/46″, talvez, em algum lugar do mundo, uma adolescente “passiva que absorve tudo que a mídia coloca em sua cabeça” (sic) esteja abandonando sua ideia de colocar silicone. Quem sabe?

  • Layanna disse:

    (Não era exatamente isto que eu ia expor, mas como veio uma tréplica no meio do caminho, mais elementos se agregaram e fugi um pouco do que ia falar, mas debate é isso aí! :D )

  • Thamiris Tavares disse:

    Quando escrevi sobre Lady GaGa ela serviu como bode expiatório, como eu disse, de uma geração, da qual Kate Perry faz parte, portanto, concordo com o que você disse sobre ela. Aliás, se você se incomoda tanto com o uso da causa gay (como eu também me incomodo)para chamar atenção, procure na rede o discurso ridiculamente genérico de GaGa durante uma manifestação nos Estados Unidos (não me lembro a ocasioão, mas você deve saber).
    Quanto à passividade, é sempre complicado tocar nesse assunto, as pessoas se sentem ofendidas, e aí, mais uma vez, não me refiro somente à GaGa, e nem somente a nossa geração. Não é o seu caso? Ótimo, mas não espere que todo mundo reflita sobre o que está na mídia antes de consumir, como você. E eu acho essa situação mais grave do que falar sobre ela.
    Agora, usar o tamanho dos seios de GaGa como argumento me parece desespero, ou futilidade. Mas eu sei que não é o seu caso…

  • Fellipe disse:

    Oie!

    Ainda não vi o clip, apenas um teaser e demorei pra reconhecer a Gaga. De fato num sei o que me espera, vou deixar para assitilo depois =D

    Fato inegável no entanto é que ela aaaaaaama de paixão simplesmente a si mesma e faz de tudo³ para chamar a atenção com tecnicas repetidas por Madonna e Britney e outras antesd delas e técnicas surrealistas, menos observadas no mundo pop.

    Hoje, a questão da sexualidade, ser bi, tri, pan e não apenas escolher um dos times apenas tá em ultra voga, então ela tá abusando desse assunto, até pq ela diz fazer parte desse grupo.

    Desculpe a intromissão, não defendo ninguém, cada um tem o direito de pensar o que quiser, fazer o que quiser ou apenas curtir a arte que ela faz, como eu, mesmo as vezes achando que ela exagera. Depoiss arcar com as consequências.

    Abraço!

  • Romulo Rodhrigues disse:

    Muito boa a crítica. Pra mim é inaceitável ouvir que Lady Gaga é original, revolucionária, única, se ela está fazendo hoje o que Madonna, Cindy Lauper, Grace Jones, Nina Hagen faziam há muitos anos. A diferença é que é tudo adaptado aos nossos tempos, novas tecnologias, internet e seus derivados.

    Gosto de Lady Gaga, mas só acho que o rótulo que ela recebeu não faz jus à cantora. Ela é uma artista de referências (não uma cópia, apesar de nesse clipe ela se aproximar disso). Musicalmente ela é limitada.A única música que destaco na carreira dela é Bad Romance. Sobre Alejandro: o clipe não precisava de 8min, pq a música não vale o esforço de acompanhar esse curta metragem. A fotografia (como era de se esperar) é muito boa, mas os temas e as performances são muito Madonna e outras cantoras mais.

    Lady Gaga merece o sucesso, mas não um altar de adoração na música pop.

  • Fellipe disse:

    Fato!

Comente!

Comente abaixo, ou trackback de seu site. Você também pode se inscrever via RSS.

Você pode usar essas tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Esse site permite o uso de gravatar. Cadastre-se no site Gravatar.

*