Music was very porreta
Há quatorze anos o Brasil conheceu uma banda debochada e diferente. Com o sucesso meteórico, os Mamonas Assassinas marcaram a história de uma década. Pena que eles se foram tão cedo e de maneira tão dramática.
Vanessa Mello (vanessa@clipestesia.com.br)
Não é exagero dizer que quem viveu os anos 90 conhece e sabe cantar alguma música dos Mamonas Assassinas. Os rapazes irreverentes sacudiram o cenário musical do país principalmente em 1995. Mas, a história dessa banda de sucesso repentino começou no finalzinho da década anterior.
Sérgio Rioli foi apresentado por um colega de trabalho a Bento. Sérgio era baterista e Bento tocava guitarra. A partir do encontro, os dois decidiram montar uma banda. Coisa de garoto. Samuel Rioli, irmão de Sérgio passou a se interessar por música e começou a tocar baixo.
Juntos criariam a banda de rock Utopia. O grupo fazia covers de Legião Urbana, Titãs e Rush. Em um show, o público pediu que eles tocassem uma música dos Guns ‘N’ Roses, mas como nenhum dos integrantes sabia a letra resolveram chamar alguém da plateia. É aí que Dinho entra na história.
Dinho se apresentou de forma escrachada, fazendo o público cair na risada. O seu jeito chamou a atenção dos outros rapazes que decidiram tirar o espectador da plateia e trazê-lo para os palcos. Mas, a banda ainda estava completa. Faltava um tecladista. Então Júlio Rasec entrou pro grupo por intermédio de Dinho que virou o vocalista.
Com a banda completa os meninos começaram a tocar na periferia de São Paulo. Lançaram um disco que foi um fracasso. Um tempo depois, perceberam que as palhaçadas que faziam nos shows chamavam mais atenção do que os covers. Essa foi a sacada!
Numa apresentação em Guarulhos conheceram o produtor Rick Bonadio. Mudaram o perfil e o nome da banda. Gravaram uma fita demo com três músicas: Pelados em Santos, Robocop Gay e Jumento Celestino e enviaram para EMI e Sony.
Os Mamonas Assassinas fecharam o seu primeiro e único contrato com a EMI no dia 28 de abril de 1995. Depois da gravação do disco a banda saiu em turnê. E que turnê! Os garotos tocavam cerca de oito vezes por semana e faziam, em média, dois shows por noite.
Foi um sucesso absoluto que chamou a atenção da mídia e de todo público brasileiro. Os Mamonas Assassinas estavam em todos os programas de grande audiência da televisão. O sucesso era tanto que a gravadora EMI faturou mais de R$ 800 milhões com eles.
O disco “Mamonas Assassinas” vendia 50 mil cópias por dia. A canção de maior sucesso do álbum foi Pelados em Santos. A única que ganhou um clipe. Vai dizer que você não lembra?
O vídeo é bem humorado e faz brincadeiras o tempo todo. Os Mamonas aparecem com a brasília amarela. O carro é quase uma espécie de personagem do clipe. Está em quase todos as sequências. O cenário inicial é fake, montado. São utilizados muitos recursos que quebram com a seriedade. Coisa que os garotos de Santos não queriam de maneira nenhuma.
Basta olhar o looks que eles utilizaram. Bem irreverentes e até um pouco brega. Eles brincam e misturam tudo. Tem desde o típico visual mexicano a roupa vermelha do Chapolin.
O clipe de Pelados em Santos deixa bem claro a imagem de um grupo divertido e irreverente. Até então não tinha se visto nada parecido no cenário musical brasileiro. Dinho, o vocalista, além de fazer palhaçadas conquistava o coração das meninas da época.
Infelizmente, o sucesso dos Mamonas Assassinas durou muito pouco. No dia 2 de março de 1996, o grupo sofreu um acidente a bordo de um Learjet. Eles tinham acabado de se apresentar em Brasília. O avião chocou-se contra a Serra da Cantareira, em São Paulo, matando todos que estavam dentro da aeronave.
Aconteceu uma grande comoção pública. Os fãs, muito tristes, compareceram ao enterro que ocorreu dois dias depois do acidente. Ninguém esperava que fosse acontecer uma tragédia com a banda. Os Mamonas iam viajar para a Europa a fim de iniciar a carreira internacional.
Apesar da morte repentina, a banda não foi esquecida. Em maio deste ano, a MTV e a Record fecharam um acordo para produzir um documentário que narra a curta trajetória do grupo.
Repentino ou não. O fato é que os Mamonas Assassinas marcaram a história da música brasileira com um jeito diferente de se apresentar e representar.



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